Angina – fatores importantes para prescrição do exercício

Prof. Drdo. Wagner Dantas – www.wagnersilvadantas.com.br

angina pectoris, é uma dor ou desconforto transitório localizado na região anterior do tórax, percebido como uma sensação de pressão, aperto ou queimação. A angina de peito ocorre quando o músculo cardíaco (miocárdio)   não recebe uma quantidade  suficiente de sangue e oxigênio. Este processo é chamado de isquemia miocárdica ou isquemia coronariana, pois se relaciona com as artérias coronárias. Esta  deficiência de oxigenação  pode ser fruto de um aumento das suas necessidades, por uma  diminuição da oferta, ou ainda, por ambos  mecanismos. As necessidades de oxigênio do coração são determinadas pelo  grau do esforço de seu funcionamento, isto é, pela freqüência e a intensidade dos batimentos cardíacos.  O esforço físico e as emoções   aumentam o trabalho do coração e a demanda (necessidade) de oxigênio por parte deste orgão. As artérias coronárias  que apresentam algum estreitamento, aonde o fluxo do sangue para o miocárdio  não pode ser aumentado para suprir uma maior necessidade de oxigênio, podem ocasionar  crises de  angina do peito.

A principal causa da angina do peito é  a doença arterial coronariana, ou seja, a presença de placas de gordura (ateromas)  na parede das artérias do coração. A  angina do peito poderá ser decorrente de outras causas,  incluindo a cardiopatia hipertensiva (doença cardíaca causada pela hipertensão arterial) e  as doenças das válvulas  cardíacas, especialmente   o   estreitamento  da  válvula aórtica (estenose aórtica), que é a via de saída de sangue para fora do coração. As doenças do músculo cardíaco  ou cardiomiopatias (tipos dilatada e  hipertrófica)   são outra causa de angina do peito. Estas doenças caracterizam-se  respectivamente, por uma dilatação  e um espessamento anormal do miocárdio, acarretando um  aumentando da necessidade de oxigênio por parte deste músculo. O espasmo arterial coronariano (contração súbita e transitória da camada muscular da artéria coronária), a tortuosidade coronariana (artérias coronárias tortas) e a ponte intramiocárdica (trajeto anormal da artéria coronária por dentro do músculo cardíaco, causando-lhe um estreitamento durante a contração cardíaca), também são  causas de  angina do peito.

Nem todos os indivíduos com isquemia miocárdica apresentam angina do peito. Este processo é chamado de  isquemia miocárdica silenciosa (comum em indivíduos diabéticos). Os pacientes  costumam perceber as crises de  angina do peito como uma sensação de pressão, aperto ou queimação, na região central do tórax. A dor também pode atingir os ombros ou irradiar-se pela face interna dos membros superiores, costas, pescoço, maxilar ou região superior do abdômen. Muitos indivíduos descrevem a sensação mais como um desconforto ou uma pressão  do que  uma dor propriamente dita. Tipicamente  a angina do peito é desencadeada pela atividade física, dura alguns poucos minutos (3 a 15 minutos) e desaparece com o repouso ou com o uso de nitratos (vasodilatadores coronarianos). A dor da angina do peito não costuma piorar com a respiração ou movimentação do tórax. O estresse emocional também pode desencadear ou piorar as crises de angina do peito.

A angina do peito  poderá ser chamada de estável, instável ou variante. A  angina do peito estável é aquela que apresenta sempre as mesmas características, ou seja, seu fator desencadeante,  intensidade e a sua duração costumam ser sempre  os mesmos. Na  angina do peito instável, o desconforto passa a ter uma maior  freqüência, intensidade ou duração  , muitas vezes, aparecendo ao repouso. A  angina do peito instável é uma emergência médica, pois poderá evoluir para um infarto do miocárdio ou até a morte.  A angina do peito instável geralmente é fruto da ruptura de uma placa de gordura (acidente da placa de ateroma) em uma artéria coronária, levando a formação de um trombo que interrompe parcialmente o fluxo de sangue para uma área do miocárdio. A  angina do peito  variante também chamada de angina de Prinzmetal, é resultante de um espasmo da artéria coronária. Esse tipo de angina do peito é chamado de variante por se caracterizar pela ocorrência de dor com o indivíduo em repouso (geralmente à noite) e não durante o esforço e ainda, por certas alterações eletrocardiográficas típicas.

O exercício físico é altamente indicado para indivíduos com angina pectoris, pois aumenta o limiar de isquemia em pacientes com sintomas de angina pectoris, principalmente, pelo poderoso efeito vasodilatador do exercício físico aeróbio. Para a prática do personal training com esse público é importante lembrar a importância de alguns fatores:

1) Verificar autorização médica para a prática do exercício físico.

2) Avaliar a possibilidade de morte súbita durante o exercício físico.

3) Conhecimento adequado da fisiopatologia e do efeito do exercício físico nessa população.

4) Dispor de acesso rápido ao atendimento médico em caso de urgência (recomenda-se a certificação em suporte básico de vida -BLS).

5) Avaliar constantemente sinais como cansaço, alteração de comportamento, sintomas correlacionados e alterações hemodinâmicas durante o exercício físico.

O treinamento resistido para alunos com angina pectoris é indicado se:

– Avaliado boa condição ventricular esquerda e boa condição cardiorrespiratória (> 5 a 6 METS).

– Uso correto da medicação prescrita pelo médico.

– Pressão Arterial controlada.

O treinamento aeróbio para indivíduos com angina pectoris deve ser prescrito com intensidades entre 40 a 60% do VO2 máx. ou 50 a 70% da FC de reserva. Deve se atentar para a contra-indicação da manobra de Valsava, aumento do trabalho de forma progressiva, limitar o exercício físico pelo sintoma relatado e observar a percepção subjetivo do esforço (ideal entre 12 e 13 da escala de BORG).

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    Ministério da Saúde