Consequência das drogas: violência e caos social

Afonso Motta *

A campanha que tem por objetivo “derrotar a pedra” busca mobilizar a sociedade para, através da conscientização, prevenir, reprimir e tratar os usuários. A epidemia do crack afeta a vida de todos e atinge mais de 50 mil famílias gaúchas. O tráfico e o consumo desta droga letal estão intimamente relacionados com a violência, especialmente assaltos e assassinatos. Entretanto, o que mais chama atenção no avanço do crack é a forma como ele atinge as crianças. É o extremo da violência.

Efetivamente, há um número elevado de crianças viciadas, especialmente as oriundas das camadas mais pobres, com famílias desestruturadas. São histórias dramáticas de violência e extermínio de jovens que embarcam nessa onda por falta de autoridade paterna. Mas não são só as famílias que estão falhando, é a própria sociedade e seu contexto.

Não podemos aceitar as crianças nas ruas, totalmente desprotegidas. A face mais dramática dessa epidemia é aquela que impacta sobre as crianças, cuja informação não será suficiente para prevenir o uso. Em geral, entram no crack pela sedução, busca de prazer, ou por sua vulnerabilidade social. Pela falta de cuidados e necessidade de gerar renda. Ademais, o tráfico utiliza esses meninos e meninas como “aviãozinho” – conhecido como leva e traz – pois estão protegidos pela legislação.

Outro aspecto relevante é o aumento assustador dos casos de exploração e abuso sexual infantil, que está diretamente ligado ao uso do crack. Crianças são abusadas dentro de casa por parentes e amigos. Menores estão se prostituindo para sustentar o vício.

Toda a prevenção relacionada a esse público passa pela rede de atendimento socioeducativa, que deve oferecer à família um apoio para cuidar, educar e garantir os direitos básicos. Como sujeitos em formação, precisam de proteção integral para o estabelecimento de limites. Se a prevenção não tem como acontecer dentro de casa, na rua a proteção social não oferece o amparo necessário. Ademais, os serviços de saúde e a escola também estão despreparados.

Com efeito, os programas de apoio e atendimento nessas instituições são iniciativas isoladas e precárias, sem a devida estruturação e acolhimento pela política pública. É conhecido que os menores de 16 anos, quando experimentam a droga, têm maior risco de dependência, alterando drasticamente a personalidade e a sua estrutura. Tornam-se violentos, irracionais e extremamente debilitados. É deplorável, portanto, imaginar o afetamento que o consumo de droga causa em um organismo infantil e as mínimas possibilidades de recuperação.

Esta a razão para dar prioridade absoluta a esse público da criança e do adolescente, mesmo que falte sensibilidade e direcionamento das autoridades nesse sentido. Vamos fazer essas crianças renascerem, porque elas serão o nosso futuro.

*Advogado e produtor rural

Fonte: Zero Hora

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Crack, nem pensar..