Treinamento Concorrente: Força e Aeróbio

Artur Monteiro

Charles Lopes

Será que o treinamento da força pode concorrer com o treinamento da resistência? Em muitos esportes, combinações de força e resistência são freqüentemente requisitadas nodesempenho, mas em algumas situações quando os dois treinamentos são realizados de forma simultânea,um potencial de interferência no desenvolvimento da força toma lugar, fazendo com que tal combinaçãotorne-se muitas vezes incompatí vel (Nader, 2006). Tal fenômeno é atualmente denominado pela literatura de treinamento concorrente e foi descrito pelaprimeira vez em 1980 no trabalho conduzido por Robert C. Hickson. Atividades esportivas como futebol, basquetebol, lutas e algumas provas no atletismo e na natação, parecem requisitar uma combinação dos componentes da força e endurance, para o alcance de ótimo rendimento. Para isso devemos entender como funcionam esses mecanismos.

Mecanismos responsáveis pela interferência na força durante o treinamentoconcorrente

Diversos mecanismos têm sido identificados e propostos como principais responsáveis ou colaboradores pelas limitações nas adaptações do músculo esquelético no desenvolvimento da força durante o treinamento concorrente. Esses incluem mecanismos de ordem:

1. Mecanismos Neurais

Há uma possibilidade que fatores neurais e o recrutamento de unidades motoras poderiam ter uma participação significativa na restrição do desenvolvimento da força com o treinamento concorrente, entretanto, nenhum fator específico foi isolado para suportar esse mecanismo. Hakkinen et al (2003) postularam em seu estudo que o treinamento concorrente pode causar efeitos nos componentes neurais devido ao fato que esse modo de estmulo pode atenuar o desenvolvimento da Força Explosiva através de uma limitação na ativação neural voluntária.

2. Disponibilidade de substratos energéticos

Disponibilidade de substratos energéti cosSucessivas sessões de estí mulos de força ou endurance podem induzir cronicamente a níveisrelati vamente baixos de glicogênio muscular, prejudicando dessa forma o rendimento subsequente.Treinamentos de endurance ou força, realizados em dias consecuti vos podem reduzir os níveis basaisde glicogênio muscular (Tesh et al, 1986). Uma possível implicação para os níveis baixos desse substratoenergéti co nas adaptações musculares do treinamento concorrente é elucidada pelos achados de Creer et al(2005), que recentemente reportaram que essa situação acabaria prejudicando as respostas de sinalizaçãointracelulares frente a uma sessão aguda de treinamento de força. Dessa forma, o desenrolar de programasde treinamento caracterizados por mais de uma sessão de treinamento por dia, podem prejudicar aindamais essas vias de sinalização, a recuperação tecidual e o rendimento durante a execução das sessõessubseqüentes e reduzir ainda mais as adaptações ao treinamento de força caso os estoques de glicogênionão sejam repostos.

3. Interconversão na capacidade funcional dos diferentes tipos de fibra

A hipertrofia muscular ocorre com magnitudes maiores nas fibras de contração rápida do que nas de contração lenta (Staron et al, 1990) e devido a isso, estímulos de treinamento de resistência têm sido creditados como responsáveis pela redução da velocidade máxima de recrutamento das fibras do tipo II. Isso sugere que uma relativa redução na área destas, poderia ser uma dos principais fatores limitantes do desenvolvimento da força durante o treinamento concorrente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

CREER, A; GALLAOHER, P; SLIVKA D; FINK, W; TRAPPE, S. Influence of muscle glycogen availability on ERKI/2 and Akt signaling after resistance exercise in human skeletal muscle. J Appl Physiol. 99:950-956, 2005.

HAKKINEN, K; ALEN, M; KRAEMER, WJ et al. Neuromuscular adaptations during concurrent strength and endurance training versus strengt training. Eur. J. Appl. Physiol. 89:42-52, 2003.

NADER, GA. Concurrent Strength and Endurance Training: From Molecules to Man. Med Sci Sports Exerc. 38(11):1965-1970, 2006.

STARON, RS; MALICKY, ES; LEONARDI, MJ; FALKEL, JE; HAGERMAN, FC; DUDLEY, GA. Muscle hypertrophy and fast f ber type conversions in heavy resistance-trained women. Eur J Appl Physiol Occup Physiol. 60:71-79, 1990.

TESCH, PA; COLLIANDER, EB; KAISER, P. Muscle metabolism during intense, heavy-resistance exercise. Eur J Appl Physiol Occup Physiol. 55:362-366, 1986.

  • mara

  • sincerramente achei tudo isso muito bom

  • jose amilton

    realmente o treinamento concorrente é algo a se pensar, não usaria a palavra concorrente e sim treinamento complementar, e porque? identificado o objetivo principal, tudo o que restar é o complemento para a melhoria da qualidade desejada, por isso devemos sempre estar atentos a carga, o intervalo e o tipo de estimulo que é dado, sabendo que tudo funciona como uma grande corrente, onde um elo depende do outro, um treino errado,feito na segunda feira írá errado até o final do micro ciclo e assim por diante, obviamente podendo ser corrigido a tempo, falo isso por que sempre estaremos expondo o individuo a diferentes situações que no meu modo de ver só serão concorrentes se não forem compativeis, se forem, serão complementar,e não estou me referindo aquelas sessões de treinamento complementar que se aprende na metodologia do treinamento não.